uva passa

quando você me achou eu estava congelada. não sei se num iceberg ou câmara criogênica. mas você derreteu o gelo e me derreteu junto. logo eu que me achava tão dona de mim, descobri que a mim só pertenciam amarguras. quando você apareceu eu picotei devagar tudo que eu achava que era e deixei um espaço em branco pra me colorir, pintar, colar, construir. você me ajudou na arte e na bagunça. olha só, por você eu comeria até uva passa! no arroz, na salada, na granola, no chocolate. se precisar eu também como ameixa seca. se for caso de vida ou morte (ou pra te arrancar um sorriso) eu deixo você me fazer cócegas, eu danço chiquititas no meio da rua,  eu nado com uma água-viva gigante (mas espero que não precise).

quando você chegou eu já sabia de tudo, só de te olhar. sabia que eu ia virar pocinha de mim pra você mergulhar no que eu sou.

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